F(x) = \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}}*\frac{\exp(-\frac{x^2}{2\tau}) }{\sqrt{2\pi\tau}},
onde \tau,\sigma são ambas constantes positivas.
A segunda parte pedia para verificar que \int_{\mathbb{R}}\frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} dx = 1 e que \lim_{\sigma\to 0} \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} = \delta(x) no sentido fraco.
O truque na primeira parte era se lembrar que se f(x) = \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}}, então \frac{d f}{dx}(x) = - \frac{x}{\sigma}f(x) e portanto \sigma ik \widehat{f}(k) = -i \frac{d\widehat{f}}{dk}(k) \Rightarrow \widehat{f}(k) \propto \exp(-\sigma k^2/2) pelas propriedades da transformada de Fourier, e a constante de proporcionalidade à direita não depende de \sigma. (Por quê? Veja a segunda parte. )
De qualquer forma, pelo teorema de convolução
\widehat{f(x)*g(x)} = 2\pi \widehat{f}(k) \widehat{g}(k) e portanto
\widehat{F}(k) = \frac{1}{2\pi} \exp(-\sigma k^2/2) \exp(-\tau k^2/2) = \exp(-(\sigma + \tau) k^2/2) e tomando a transformada inversa, F(x) = \frac{\exp(-\frac{x^2}{2(\sigma + \tau)}) }{\sqrt{2\pi(\sigma + \tau)}}.
Para verificar que \int_{\mathbb{R}} \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} dx = 1 basta escalonar a variável de integração e se lembrar que \int_{\mathbb{R}}\exp(-x^2/2)dx = \sqrt{2\pi}.
A última parte do problema pedia para mostrar que \lim_{\sigma\to 0} \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} = \delta(x) no sentido fraco.
A última parte foi de fato um desafio.
A maneira indireta,
se f(x) = \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} e g(x) = \overline{f}*f (ou f*f se f for real) então
\widehat{g}(k)=\widehat{\overline{f}*f} = \overline{\widehat{f}(k)} \widehat{f}(k) = \vert \widehat{f}(k)\vert^2.
Pela fórmula de inversão,
g(x) = \int_{\mathbb{R}}\vert \widehat{f}(k)\vert^2 \exp(ikx) dk \Rightarrow g(0) = \int \vert f(x) \vert^2 dx = \int_{\mathbb{R}}\vert \widehat{f}(k)\vert^2 dk.
Essas manipulações formais dependem de f e \widehat{f} serem ambas quadrado integráveis.
Fica fácil provar agora que \int f(x) g(x) dx = \int \widehat{f}(k) \widehat{g}(k) dk.
Portanto no sentido fraco nós temos que
\int \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} \phi(x) dx = \int \frac{1}{2\pi} \exp(-\sigma k^2/2) \widehat{\phi}(k) dk,
e quando \sigma \to 0 o lado direito tende à \propto \int_{\mathbb{R}} \widehat{\phi}(k) dk = \phi(0) pela fórmula de inversão.
Conclusão: o limite fraco de \exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) é a função \delta vezes uma constante.
A maneira direta pode ser argumentada assim.
Como nós mencionamos no enunciado do problema, a medida que \sigma \to 0 o gráfico de \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} fica mais alto e mais fino.
Nós vamos primeiro demonstrar que a a cauda do gráfico contribui pouco para a área total.
Para x \geq 2\epsilon, x^2/2\epsilon \geq x/2\epsilon e como \exp(-t) é decrescente,
\exp(-x^2/2\epsilon) \leq \exp(-x/2\epsilon).
Portanto,
\int_{2\epsilon}^{\infty}\frac{\exp(-\frac{x^2}{2\epsilon}) }{\sqrt{2\pi\epsilon}} dx \leq \int_{2\epsilon}^{\infty}\frac{\exp(-\frac{x}{2\epsilon}) }{\sqrt{2\pi\epsilon}} dx = c \epsilon^{1/2}.
Nós podemos concluir que a área \int_{\vert x\vert \geq 2\epsilon} \exp(-x^2/2\epsilon) dx \leq c \epsilon^{1/2}.
Agora como exercício tente se convencer que
\lim_{\epsilon \to 0} f_{\epsilon}(x) \phi(x) dx = \phi(0), onde
f_{\epsilon}(x) = \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\epsilon}) }{\sqrt{2\pi\epsilon}}.
Veja o livro do Lighthill, "Introduction to Fourier Analysis and Generalized Functions."
O problema maior aqui é definir o espaço de funções onde o funcional linear \delta(x) atua.
Lighthill assume que \delta(x) mora no espaço de boas funções,
funções C^{\infty} que caem bastante rápido quando x\to \infty. De fato, mais rápido que qualquer polinômio.
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