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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Testinho 2

O testinho tinha duas partes, a primeira parte consistia em calcular
F(x) = \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}}*\frac{\exp(-\frac{x^2}{2\tau}) }{\sqrt{2\pi\tau}},
onde \tau,\sigma são ambas constantes positivas. 

A segunda parte pedia para verificar que  \int_{\mathbb{R}}\frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} dx = 1 e que \lim_{\sigma\to 0} \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} = \delta(x) no sentido fraco.  

O truque na primeira parte era se lembrar que se f(x) = \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}}, então \frac{d f}{dx}(x) = - \frac{x}{\sigma}f(x) e portanto \sigma ik \widehat{f}(k) = -i \frac{d\widehat{f}}{dk}(k) \Rightarrow \widehat{f}(k) \propto \exp(-\sigma k^2/2) pelas propriedades da transformada de Fourier, e a constante de proporcionalidade à direita não depende de \sigma. (Por quê? Veja a segunda parte. )

De qualquer forma, pelo teorema de convolução 
\widehat{f(x)*g(x)} = 2\pi \widehat{f}(k) \widehat{g}(k) e portanto 
\widehat{F}(k) = \frac{1}{2\pi} \exp(-\sigma k^2/2) \exp(-\tau k^2/2) = \exp(-(\sigma + \tau) k^2/2) e tomando a transformada inversa, F(x) = \frac{\exp(-\frac{x^2}{2(\sigma + \tau)}) }{\sqrt{2\pi(\sigma + \tau)}}.

Para verificar que \int_{\mathbb{R}} \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} dx = 1 basta escalonar a variável de integração e se lembrar que \int_{\mathbb{R}}\exp(-x^2/2)dx = \sqrt{2\pi}

A última parte do problema pedia para mostrar que \lim_{\sigma\to 0} \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} = \delta(x) no sentido fraco. 

A última parte foi de fato um desafio. 

A maneira indireta,
se f(x) =  \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} e  g(x)  = \overline{f}*f (ou f*f se f for real) então
\widehat{g}(k)=\widehat{\overline{f}*f} = \overline{\widehat{f}(k)} \widehat{f}(k) = \vert \widehat{f}(k)\vert^2
Pela fórmula de inversão,
g(x) = \int_{\mathbb{R}}\vert \widehat{f}(k)\vert^2 \exp(ikx) dk \Rightarrow g(0) = \int \vert f(x) \vert^2 dx = \int_{\mathbb{R}}\vert \widehat{f}(k)\vert^2 dk

Essas manipulações formais dependem de f e \widehat{f} serem ambas quadrado integráveis. 

Fica fácil provar agora que \int f(x) g(x) dx = \int \widehat{f}(k) \widehat{g}(k) dk. 
Portanto no sentido fraco nós temos que
\int \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} \phi(x) dx = \int \frac{1}{2\pi} \exp(-\sigma k^2/2) \widehat{\phi}(k) dk
e quando \sigma \to 0 o lado direito tende à \propto \int_{\mathbb{R}} \widehat{\phi}(k) dk = \phi(0) pela fórmula de inversão. 

Conclusão: o limite fraco de \exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) é a função \delta vezes uma constante. 

A maneira direta pode ser argumentada assim. 

Como nós mencionamos no enunciado do problema, a medida que \sigma \to 0 o gráfico de \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\sigma}) }{\sqrt{2\pi\sigma}} fica mais alto e mais fino. 

Nós vamos primeiro demonstrar que a a cauda do gráfico contribui pouco para a área total. 

Para x \geq 2\epsilon, x^2/2\epsilon \geq x/2\epsilon e como \exp(-t) é decrescente,
\exp(-x^2/2\epsilon) \leq \exp(-x/2\epsilon)

Portanto,
\int_{2\epsilon}^{\infty}\frac{\exp(-\frac{x^2}{2\epsilon}) }{\sqrt{2\pi\epsilon}} dx \leq \int_{2\epsilon}^{\infty}\frac{\exp(-\frac{x}{2\epsilon}) }{\sqrt{2\pi\epsilon}} dx  =  c \epsilon^{1/2}.  

Nós podemos concluir que a área \int_{\vert x\vert \geq 2\epsilon} \exp(-x^2/2\epsilon) dx  \leq c \epsilon^{1/2}. 

Agora como exercício tente se convencer que 
\lim_{\epsilon \to 0} f_{\epsilon}(x) \phi(x) dx = \phi(0), onde
f_{\epsilon}(x) = \frac{\exp(-\frac{x^2}{2\epsilon}) }{\sqrt{2\pi\epsilon}}

Veja o livro do Lighthill, "Introduction to Fourier Analysis and Generalized Functions." 
O problema maior aqui é definir o espaço de funções onde o funcional linear \delta(x) atua.
Lighthill assume que \delta(x) mora no espaço de boas funções,
funções C^{\infty} que caem bastante rápido quando x\to \infty. De fato, mais rápido que qualquer polinômio. 



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